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Carne de cavalo, boi, porco ou cachorro?

Pesquisadores da Fundação Ezequiel Dias (Funed) desenvolveram uma metodologia que permite identificar os tipos de carne presentes em alimentos processados. De acordo com o biólogo e pesquisador da Fundação, Luiz Guilherme Dias Heneine, ao analisar e verificar se há carne de cavalo, boi, cachorro e porco nos produtos, o teste pode contribuir, por exemplo, para o controle da vigilância sanitária no país.

A metodologia que vem sendo desenvolvida na Funed desde 2010 é baseada na identificação da proteína do animal nos produtos a partir do método ELISA e os resultados das análises realizadas já demonstram sua efetividade. O teste foi aplicado na análise de 30 amostras de hambúrguer (carne processada). O pesquisador informou que, após analisar o produto, e certificar de que nele continha, por exemplo, apenas carne bovina, a equipe adicionou a essa mesma amostra outro tipo de carne animal e refez os testes. “Os resultados confirmaram a sensibilidade da metodologia que detectou a presença de mais de um tipo de proteína em 100% das amostras testadas.”

A ferramenta que faltava

O pesquisador Luiz Guilherme conta que, depois das atuais ocorrências, a nível mundial, de contaminação de carne de boi com carne de cavalo em hambúrgueres e lasanhas e da presença de carne de porco em alimentos próprios para mulçumanos, um alerta geral foi disparado para a necessidade de intensificar a vigilância para alimentos in natura ou processados, contendo carne animal. “Neste contexto, o teste de Elisa tem o diferencial de poder ser realizado em instalações simples e com leitura visual sem a necessidade de instrumentos. Consequentemente, a inspeção dos alimentos pode ser feita de forma difusa no território nacional”, explica. 

Além de mais barato e rápido, o teste com Elisa pode ser realizado com pequenas porções da proteína do animal. A metodologia desenvolvida pela Funed, além de conseguir detectar a presença de espécies, consegue identificar ainda substancias usadas na criação dos animais, como rações e alimentos que, possivelmente, causarão mal à saúde humana.

Relevância Social

A rotulagem de alimentos tem por objetivo assegurar ao consumidor o conhecimento pleno do que está ingerindo. “O que se espera com esses testes é o respeito ao consumidor, uma vez que o Código de Defesa do Consumidor garante a ele o direito de pagar por um produto que está rotulado”, conta o pesquisador. De acordo com ele, a metodologia é uma forma de garantir a segurança alimentar, o respeito às diversidades religiosas e o direito de pagar o preço justo pelo que consome.

A pesquisa ainda está em fase de testes e tem previsão de conclusão para 2015.   Após produção dos reagentes específicos para detectar determinado tipo de carne, dos testes de efetividade deles, é preciso testar diferentes parâmetros desses reagentes.

Texto: Amanda Matos

Foto: Rodrigo Cardoso

Mais informações: 3314-4576